
Equipe do Gapes reunida em Dia de Campo
Ao completar 25 anos em 2025, o Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (Gapes) celebra um marco importante: a consolidação de um modelo de pesquisa colaborativa entre produtores, com resultados expressivos no campo e reconhecimento técnico nacional.
Criado no ano 2000, o Gapes nasceu da iniciativa de produtores que buscavam respostas práticas para os desafios diários das lavouras, com foco em resultados aplicáveis à realidade das fazendas.
De lá para cá, o grupo cresceu, se estruturou e hoje conta com uma base sólida de 43 produtores associados, que representam 35 grupos familiares e cultivam, juntos, cerca de 140 mil hectares de soja e 90 mil hectares de milho safrinha dentro do estado de Goiás, sem contabilizar as áreas de outras estados.
Um dos grandes avanços recentes foi a aquisição de uma área própria para a estação experimental do grupo, com 100 hectares — cerca de 70 deles devem ser usados exclusivamente para experimentos.
A futura mudança para a nova área marca o início de um novo ciclo para o Gapes, que usa atualmente uma área arrendada para suas pesquisas. “Foi um marco para nós, porque representou o primeiro investimento coletivo do grupo. Isso mostra a confiança e a credibilidade que o Gapes tem entre os próprios associados. Eles acreditam na proposta, por isso decidiram investir. E esse passo reforça o potencial do grupo para seguir firme pelos próximos 25 anos”, afirma Wendy Peeters, produtora rural que participa do grupo desde 2013 e é integrante da diretoria de ESG, além de 2ª tesoureira do Gapes.
Pesquisa técnica e ganhos em produtividade
A base de atuação do Gapes está em sua estrutura de pesquisa. O grupo realiza estudos em diversas frentes, como: sementes, fertilidade, fisiologia, nutrição, herbologia, fitopatologia, entomologia, biológicos e manejo de plantas de cobertura. Cada área conta com pesquisadores especializados, que transformam dúvidas práticas em conhecimento técnico aplicável.
Os resultados são expressivos. Na safra 2023/24, por exemplo, os associados colheram, em média, 71 sacas de soja por hectare — 15 sacas acima da média nacional e 13 acima da média do estado de Goiás. No milho, os picos de produtividade chegaram a 43 sacas acima da média. “Esse embasamento técnico é o que garante a gestão por metro quadrado, conceito que resume bem o nosso foco no detalhe”, explica Wendy.
Ela ressalta que o diferencial do Gapes é justamente ajudar o produtor a extrair o máximo de cada talhão, respeitando a realidade de solo e clima de cada área. “Nem todo solo permite alcançar grandes produtividades, mas o conhecimento técnico nos permite chegar ao máximo que aquele solo pode oferecer”, complementa.
Agricultura regenerativa faz parte do dia a dia

Produtora rural Wendy Peteers faz parte do Gapes desde 2013
Nos últimos anos, o Gapes intensificou suas pesquisas em práticas que se alinham com os princípios da agricultura regenerativa. Embora não haja um departamento exclusivo para esse tema, ele está presente em diversas frentes, como manejo de solo, uso de plantas de cobertura e aplicação de insumos biológicos.
“O solo bem cuidado, com vida ativa, é mais resiliente e produtivo. É isso que os estudos mostram, e é isso que aplicamos nas nossas fazendas”, afirma Wendy. A pesquisa com biológicos, por exemplo, já é realidade dentro do grupo, e muitos produtores passaram a priorizar seu uso sempre que há eficácia comprovada.
Segundo Wendy, a agricultura regenerativa não é um tema isolado, mas sim uma abordagem integrada ao manejo. “Pesquisamos regeneração dentro de várias áreas, porque ela está em tudo. Não é um setor, é um conjunto de práticas”, explica.
Parceria com o Reg.IA
Desde 2024, o Gapes faz parte do Reg.IA, o primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, que conta também com a Agrivalle, Bayer, BRF, Milhão e Produzindo Certo. A participação do grupo é estratégica, pois garante ao consórcio uma base de validação prática e técnica dos conceitos regenerativos.
“É muito importante estarmos no Reg.IA para trazer a visão real do campo. Às vezes, uma ideia funciona na teoria, mas não se aplica na prática. O Gapes ajuda a validar o que realmente funciona nas fazendas”, destaca Wendy. Ela ressalta que o grupo não tem interesses comerciais, e por isso fala com isenção e embasamento técnico em nome dos produtores.
A atuação do Gapes dentro do consórcio também fortalece o papel dos associados, que passam a ter acesso a discussões estratégicas e pesquisas avançadas. “Quando o Gapes valida uma prática, é porque ela foi testada por vários produtores. Isso tem muito peso”, reforça.
Reconhecimento como ICT
Outro marco recente na história do Gapes foi o reconhecimento como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), em 2024. Essa nova condição permite que o grupo estabeleça parcerias com universidades, governos e instituições públicas e privadas, abrindo novas possibilidades de atuação e financiamento.
“Estamos nos estruturando para aproveitar essa nova fase. Ser um ICT nos dá mais autonomia e oportunidades para ampliar o impacto das nossas pesquisas”, explica Wendy.
Esse reconhecimento também reforça a credibilidade do grupo, que vem sendo construído ao longo de duas décadas e meia com base em transparência, colaboração entre produtores e foco em resultados concretos.
Vem aí o 14º Workshop Gapes
Outro destaque do calendário de 2025 será o 14º Workshop Gapes, marcado para os dias 3 e 4 de junho, em Rio Verde (GO). O evento, que acontece a cada dois anos, se consolidou como um dos mais importantes encontros técnicos do sudoeste goiano, reunindo pesquisadores, produtores, consultores e representantes do setor agropecuário.
A programação inclui apresentações de resultados das pesquisas do grupo, painéis com produtores, debates sobre inovação e sustentabilidade e palestras com especialistas de renome nacional. “É um evento que a região espera. A gente organiza com muito carinho para mostrar à sociedade o nosso trabalho técnico e o que estamos construindo juntos”, destaca Wendy.
Em breve, as inscrições estarão disponíveis no site do Gapes, e a expectativa é atrair um público variado, interessado nas tendências e soluções práticas para o agro. O evento também reforça a missão do Gapes de compartilhar conhecimento e promover uma agricultura cada vez mais sustentável e eficiente.